A chuva caía fina sobre os vidros altos da cobertura, como se o céu tentasse lavar os pecados de todos ali dentro. O ar estava úmido, denso, cheirando a papel antigo e café frio. Virgínia folheava uma pasta de documentos que encontrara ao acaso no escritório de Rubens. Mas entre planilhas e contratos, algo destoava — um envelope amarelado, com seu nome escrito à mão, em uma caligrafia firme e elegante. "Senhorita Virgínia Duarte." O coração dela falhou uma batida. A letra... ela conhecia aquela letra. Desde os dezoito anos, aquelas palavras eram seu único refúgio. As cartas que recebia — sempre enviadas por um “pretendente distante”, escolhido pelo pai — haviam sido a única forma de amor que ela acreditara existir. Mas aquelas cartas estavam ali. No quarto de Rubens. A mão trêmula a

