A noite já se despedia quando Jonas entrou no antigo escritório dos Vasconcelos. O som das cigarras se misturava ao ranger da madeira antiga, e o ar tinha o perfume agridoce de papel envelhecido e segredos esquecidos. A lamparina oscilava na mesa, lançando sombras que pareciam sussurrar o que os homens não tiveram coragem de dizer em voz alta. Ele abrira o cofre com o mesmo frio na espinha de quem invade um túmulo. Os documentos estavam lá: pastas amareladas, contratos antigos, registros bancários e cartas. Tudo o que um dia fora poder agora exalava o cheiro de culpa. Enquanto folheava as páginas, os dedos de Jonas tremiam levemente. Um nome se repetia entre os papéis, como um eco: Antenor Monteblanco. E outro, entrelinhado, surgia junto: Leôncio Freitas, o pai de Rosa. Os dois nomes e

