As luzes da cidade já não eram flashes de prestígio, mas lâminas de julgamento. Virgínia andava com os óculos enormes, o casaco fechado até o pescoço, tentando esconder não apenas o rosto, mas a vergonha que lhe queimava a pele. As manchetes ainda ecoavam: “Esposa de CEO flagrada em ato s****l no banheiro de hotel.” Os vídeos tinham sido vistos milhões de vezes. O mundo a reduzia a gemidos, a uma imagem distorcida de prazer que não passava de anestesia para sua solidão. O cheiro das rosas, aquela maldição que impregnava tudo em sua vida, não a perseguia agora. Em vez disso, havia o odor metálico da rejeição, o perfume ácido do desprezo público. Nenhum vestido de grife, nenhum batom vermelho era capaz de cobrir as cicatrizes invisíveis da humilhação. Foi nesse silêncio que surgiu a mensa

