O avião pousou sob o céu da madrugada, tingido por tons de chumbo e silêncio. Felipe observava pela janela como se enxergasse não apenas a pista iluminada, mas também os fantasmas que esperavam por ele. Anos haviam se passado desde a última vez em que respirara o ar da sua cidade natal e, no entanto, a sensação era a mesma de sempre: o cheiro de terra molhada após a chuva, misturado ao perfume distante de flores que insistiam em resistir ao tempo. Naquele instante, o coração dele bateu descompassado. Porque, em algum lugar entre o som dos motores desligando e os faróis recortando a escuridão, estava a lembrança do nome que nunca conseguira esquecer: Rosa. O divórcio era notícia abafada, engavetada em notas discretas, comprada com advogados e acordos milionários. As mídias haviam sido cal

