O quarto transformou-se em algo mais do que um espaço de recuperação. Era uma catedral de silêncio, onde cada olhar, cada suspiro, cada gesto tinha o peso de uma oração. A chuva lá fora se transformara em garoa constante, tamborilando nas janelas como dedos que não ousavam interromper o rito que se desenrolava dentro. O médico respirava fundo, examinando Rosa com a precisão de quem sabe que não toca apenas um corpo, mas uma vida inteira resumida em cicatrizes. Ele pedia instrumentos em voz baixa, e a enfermeira, com as mãos trêmulas, entregava um a um. Os olhos dela marejavam sem cessar. Felipe não tirava os olhos de Rosa. Sua mão continuava entrelaçada à dela, como se o toque fosse mais eficaz do que qualquer remédio. E, ao lado, Maria segurava um rosário com tanta força que os nós dos

