O quarto estava mergulhado em penumbra, iluminado apenas pela luz filtrada pelas cortinas pesadas de linho. O ar tinha cheiro de álcool, de ervas medicinais e, mais sutilmente, de rosas. Como se o corpo dela, mesmo ferido, ainda exalasse aquele perfume impossível de apagar. Felipe estava sentado à beira da cama, o tronco curvado, os cotovelos apoiados nos joelhos, as mãos entrelaçadas em silêncio. Havia dias que implorava ao médico: deixem-me ficar, deixem-me vigiar. Afinal, a espera o estava matando mais do que qualquer guerra. E, naquela noite, finalmente permitiram. Ele a observava. O rosto de Rosa, pálido, parecia feito de porcelana quebradiça. As marcas ainda a desenhavam como tatuagens de dor: roxos, cortes, cicatrizes recentes. Mas era nos detalhes delicados, a curva dos lábios, o

