O sol nasceu tímido naquela manhã, atravessando as cortinas com feixes de luz dourada que pareciam querer tocar o que a noite havia deixado inacabado. Rosa abriu os olhos lentamente, sentindo o corpo pesar contra os lençóis de linho. Tudo nela doía, o físico, o emocional, a alma. O corpo ainda ardia de lembranças. O quarto guardava o perfume da noite anterior: mistura de suor, rosas e arrependimento. Felipe não estava ali. Por um instante, o silêncio lhe pareceu c***l, como se o abandono tivesse voltado para reclamar seu lugar. Mas, ao virar o rosto, viu sobre a mesinha de cabeceira uma bandeja com café fresco, frutas cortadas, um bule de porcelana e uma rosa vermelha de caule curto repousando sobre o guardanapo branco. O coração dela se apertou. “Ele cuidou de mim.” A lembrança da

