Capítulo 36 – O Retorno das Vozes Antigas

1388 Words

A noite na fazenda não era apenas ausência de luz. Era presença. Presença de vozes que vinham de longe, de histórias que resistiam ao tempo, de segredos que o vento carregava entre os galhos secos das roseiras. A lua, tímida, escondia-se sob véus de nuvens densas, como se também tivesse medo de olhar para baixo e testemunhar a dor gravada na terra. Na cozinha, reunidos em torno de lamparinas trêmulas, os empregados falavam baixo. O estalar da lenha no fogão parecia compassar suas palavras, cada fagulha acendendo memórias que nunca haviam se apagado. Josefa foi a primeira a abrir a boca, a voz rouca e grave, como quem carrega dentro de si gerações. — Minha avó dizia… que as roseiras não secaram por acaso. Elas morreram no dia em que os amores foram separados à força. Disse que ouviu, na n

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