O vento da madrugada soprou pelas cortinas de linho, trazendo o cheiro do mar distante misturado ao aroma amadeirado do quarto. As luzes estavam baixas, douradas, refletindo nas paredes de mármore e no corpo de Virgínia, que usava apenas uma camisola de seda cor vinho, a mesma cor de suas intenções. Ela andava de um lado para o outro, os pés descalços sobre o tapete felpudo, tentando encontrar força nas próprias pernas. Rubens a observava, recostado à porta, as mangas da camisa dobradas, o olhar firme e sereno, aquele tipo de olhar que não se impunha, mas dominava sem precisar dizer nada. — Então é isso? — ela disse, a voz arranhada. — Você acha que pode me trancar aqui e resolver tudo com flores, café e sorrisos? Rubens se aproximou um passo, e cada passo dele era como o som grave de u

