A manhã começara tímida, com o céu carregado de nuvens que prometiam chuva. A fazenda parecia suspensa entre o passado e o presente — o perfume das rosas intensificado pelo ar úmido, o farfalhar das folhas lembrando murmúrios antigos. Felipe caminhava ao lado de Rosa, os passos lentos, as mãos próximas, mas sem se tocarem. Ele esperava o instante certo, aquele em que a respiração dela não fosse mais medo, e sim rendição. — Tenho algo pra te mostrar — disse ele, a voz grave, serena, mas com um fundo de emoção que a fez erguer os olhos. Ela o olhou desconfiada, mas havia ternura na expressão. Desde que ele voltara, cada gesto parecia um pedido silencioso de perdão. O vento soprou o cabelo dela contra o rosto, e ele, instintivamente, afastou a mecha com os dedos. Um toque simples, mas que i

