Capítulo 11 – Ana Guarda o Segredo

1323 Words

O tinteiro ainda guardava o cheiro doce da tinta fresca, e as mãos de Ana tremiam ao dobrar mais uma carta. Não era a primeira, nem seria a última, mas cada uma carregava um peso que o papel parecia não suportar. As palavras de Rosa chegavam filtradas, cortadas, como flores podadas antes de desabrochar. Sempre havia um traço de frieza, frases calculadas demais para uma amiga de infância. Ana sabia: não era Rosa quem escrevia. Era Rosa vigiada. Rosa moldada pelo olhar c***l de Antenor. Ainda assim, nunca deixou de responder. Porque no silêncio das entrelinhas, havia sempre um pedido de socorro. Um risco m*l traçado, uma palavra fora do contexto, uma mancha de lágrima que borrava a tinta. Era ali que Rosa falava de verdade, não nas frases prontas. Na solidão da fazenda, Rosa escrevia o qu

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