O escritório já não era apenas espaço de trabalho para Jonas. As paredes cobertas por estantes altas, impregnadas pelo cheiro de livros antigos e couro, guardavam também o eco de confidências nunca ditas. O som metálico da caneta riscava os contratos, mas seus olhos, atentos como os de um falcão, viam muito além do papel. Felipe caminhava pela sala como quem atravessa trincheiras. Cada passo firme escondia o peso que os ombros carregavam. Estava sempre impecável: terno alinhado, barba feita, olhar frio. Mas Jonas, que aprendera a ler não apenas leis, mas homens, sabia que havia rachaduras naquele gelo. Era no silêncio entre um gole de uísque e outro que Felipe se traía. O jeito como segurava o copo, sempre forte demais, como se precisasse esmagá-lo. O olhar perdido pela janela, fixo em h

