As noites naquela casa grande eram feitas de gritos. Não os gritos alegres das festas de outrora, nem os cantos de colheita que ecoavam quando as roseiras ainda floresciam. Eram gritos de dor, agudos, sufocados, prolongados como se a própria alma de Rosa fosse arranhada por dentro. O silêncio que vinha depois era ainda pior. Um silêncio pesado, espesso, que não vinha da ausência de som, mas da própria natureza. O vento parava de soprar, os galhos das árvores permaneciam imóveis, e até os grilos emudeciam como testemunhas aterrorizadas. Era como se a terra respirasse devagar, envergonhada de ser cúmplice de tanta crueldade. Os animais também sabiam. Os cavalos, antes altivos e vibrantes, empinavam-se nas baias e relinchavam, mas depois se recolhiam em silêncio, como se compreendessem que

