O apartamento de Clara estava mergulhado num silêncio desconfortável. O relógio na parede marcava as horas como um coração que pulsava fora de compasso. Ela tentava se concentrar nos papéis espalhados sobre a mesa, mas os olhos não conseguiam seguir as letras. O corpo não obedecia. A memória insistia em trazer a noite em que se entregara a Jonas — a noite que havia jurado a si mesma nunca acontecer, mas que ainda queimava sob sua pele. Do outro lado da cidade, Jonas resistira o quanto pôde. Enfiara-se no trabalho, nas reuniões, nos relatórios, mas nenhuma planilha, nenhuma estratégia conseguia apagar o vazio que ela deixara. Naquela noite, finalmente desistiu da própria resistência. Subiu até o andar do apartamento dela, o coração aos socos contra o peito. Quando Clara abriu a porta, sur

