O hospital cheirava a antisséptico, mas para Rosa o ar parecia impregnado de lembranças antigas, memórias que ardiam mais do que as feridas no corpo. O corredor era longo, iluminado por luzes brancas que feriam os olhos. Cada passo da maca empurrada por enfermeiros ecoava como um compasso de sentença. Maria caminhava ao lado, mãos cruzadas contra o peito, murmurando orações baixas. Felipe vinha logo atrás, firme, como sombra protetora, mas também como réu de culpas que ainda não ousava confessar. As portas se abriram para o quarto dos pais. O cheiro era diferente ali: não apenas o de remédios, mas o de flores frescas deixadas por alguém, tentando disfarçar o inevitável. O coração de Rosa apertou-se. Francisca estava deitada, frágil, com tubos finos correndo pelos braços. Leôncio, ao lad

