O amanhecer nasceu lento naquela manhã, como se o próprio sol hesitasse em atravessar as janelas da fazenda. O ar cheirava a terra molhada pela garoa da madrugada, e havia no ambiente um silêncio espesso, entrecortado apenas pelo canto dos pássaros que pareciam guardar segredos. Rosa estava sentada em uma poltrona próxima à varanda, os cabelos soltos caindo em ondas desfeitas sobre os ombros. Os olhos fixos no horizonte denunciavam um cansaço que não era apenas físico, mas da alma — um cansaço que se estendia pelos ossos, pelas lembranças, pelas cicatrizes que ainda ardiam na pele. Ela fechou os olhos por um instante, e o perfume das rosas que vinha do jardim abaixo trouxe memórias que doíam como facas: a juventude roubada, o casamento sufocante, os gritos de Antenor ainda ecoando em sua

