Capítulo 8 – O Filho Que Nunca Nasceu

1806 Words

O ar da mudança trazia o cheiro acre da poeira levantada pelas carroças, misturado ao aroma úmido da terra. Rosa caminhava pela varanda da fazenda como quem vagueia em ruínas. O vestido balançava ao vento, e os olhos, cansados, percorriam a paisagem árida: jardins outrora repletos de rosas agora eram terra seca, galhos retorcidos, lembranças mortas. Naqueles dias, Antenor mantinha distância. Afastava-se não por arrependimento, mas para que os hematomas do rosto dela não fossem comentados em voz alta. O silêncio dele era apenas máscara, um cálculo frio para preservar a própria reputação. Enquanto ele se mantinha longe, os boatos cresciam como ervas daninhas. Dizia-se na cidade que o casamento não havia se consumado. O sussurro corria pelas praças, repetido entre vizinhas, multiplicado entr

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