O salão estava iluminado por lustres dourados que refletiam no piso encerado, como se a noite tivesse sido bordada com fios de ouro. O cheiro de perfumes caros misturava-se ao aroma de champanhe recém-aberta, criando uma atmosfera de luxo que escondia a podridão por trás dos sorrisos ensaiados. As taças tilintavam em brindes falsos, as conversas se confundiam em risos abafados, e cada gesto parecia mais calculado do que espontâneo. Virgínia caminhava entre os convidados como uma rainha sem coroa, mas que carregava nos olhos a certeza do próprio reinado. Vestia seda carmim, justa ao corpo, tecido que parecia feito para exibir a silhueta perfeita e ao mesmo tempo esconder os espinhos de sua alma. O salto ecoava pelo mármore, firme, dominador, e cada movimento de sua mão deixava no ar um ras

