A noite caía sobre a fazenda como um véu pesado. O vento arrastava o perfume distante da terra molhada, misturado ao canto agudo dos grilos. Dentro da sala, apenas a luz de um abajur amarelado aquecia as sombras, lançando reflexos tênues sobre o rosto de Rosa. Ela estava sentada no sofá, as mãos unidas sobre o colo como se segurassem um rosário invisível. Cada dedo entrelaçado ao outro era um gesto de contenção, um esforço para manter o corpo imóvel quando, por dentro, o coração batia em descompasso. Felipe, de pé diante dela, não falava. Observava. O olhar dele a tocava com mais força do que qualquer palavra poderia. Havia naquele silêncio uma súplica — quase uma oração — para que ela finalmente rompesse a muralha que a mantinha prisioneira. Rosa ergueu o rosto, os olhos marejados refl

