Capítulo 13

1182 Words
Capítulo 13 Lucia Bianchi O salão estava silencioso quando entrei. Havia flores espalhadas por tudo, lindas... Exceto uma rosa vermelha destruída no chão, que vi perto do tapete ao arrumar o vestido antes de entrar. Não tinha música suave como nos casamentos que sonhava quando era menina. Ali, tudo era solene, pesado. Poucas cadeiras, poucos convidados — talvez trinta. Todos de preto, com olhares duros, observando cada passo meu. Não sei se tenho medo... Já passei por isso antes, e tenho certeza que nada será pior que viver com os Moretti. Fabiana ajeitou meu braço com cuidado. — Ombros retos, querida. Caminhe com honra. — Falou firme, mas vi a lágrima que tentou disfarçar ao olhar para o filho no altar. Respirei fundo. Meus olhos foram direto para lá e ficaram. Vinícius estava lá. Imponente. O terno escuro caía sobre ele como uma armadura. O cabelo penteado para trás, o olhar fixo em mim. Nenhum sorriso. Nenhum gesto de ternura. Só aquela seriedade que me assustava e, ao mesmo tempo, me fazia acreditar que nada poderia derrubá-lo. Quando cheguei perto, ele estendeu a mão. Toquei de leve, tentando esconder o tremor. O celebrante, um homem idoso de voz grave, abriu o ritual: — Estamos aqui diante da famiglia Strondda para unir Vinícius Strondda e Lucia Bianchi. Não apenas em matrimônio, mas em lealdade. O casamento é um juramento de vida e de sangue. Um murmúrio percorreu os convidados. Senti a respiração pesada de cada um. Me senti uma traidora por me passar por Lucia. — Vinícius, você promete proteger esta mulher com a sua vida, honrar a famiglia e nunca deixar que ela seja desonrada? — perguntou o celebrante. Vnícius não desviou os olhos de mim. — Prometo. — olhou para o movimento dos meus lábios. Meu coração disparou. — Lucia, você promete ser fiel ao seu marido, honrar a casa Strondda e nunca trair este juramento, mesmo que sua vida dependa disso? Engoli seco. O silêncio do salão me esmagava. Então respondi, quase num sussurro, mas firme o suficiente: — Prometo. O celebrante assentiu. — Então, diante de todos aqui presentes, declaro que não são apenas marido e mulher, mas parte de um pacto eterno com a máfia italiana. O que se une aqui, só a morte pode separar. Um arrepio me percorreu. — Pode beijar a noiva. Ele me olhou como ainda não havia olhado. Senti suas mãos suaves segurarem meus braços e descerem pela cintura. O beijo de Vinícius foi diferente de tudo que eu já havia sentido. Forte, seguro, intenso. Como se me marcasse para sempre. Senti o mundo desaparecer por um instante. Não era só um beijo de posse como me beijou ontem; havia desejo, havia algo bruto, mas também calor. Meu corpo reagiu antes da minha mente. Os aplausos explodiram, curtos e controlados, mas reais. Sorri sem querer. Pela primeira vez, me senti parte de algo que não entendi se era sorte ou condenação. Fabiana se aproximou, orgulhosa. — Brava, bambina. Agora é oficial. — Fui abraçada e estranhei um pouco. Não sou acostumada. Uma voz feminina suave chamou minha atenção: — Finalmente conheço a esposa do meu irmão. Prazer, sou a Manuela, mas pode chamar de Manu. Jovem, linda, cabelos castanhos soltos, olhos verdes iguais aos de Vinícius, mas cheios de leveza. Ela me abraçou sem cerimônia. — Seja bem-vinda à família. Espero que não deixe o Vini mandar demais. Ele precisa de alguém que o provoque. Sorri, surpresa com a simpatia. — Vou tentar sobreviver primeiro. Ela riu. — Com ele, sobreviver já é vitória. Preciso concordar. O clima aliviou por alguns minutos. Depois fomos para o almoço. Mesas longas, vinho servido em abundância, pratos fumegantes. O salão, antes frio, agora tinha risadas, conversas rápidas, e até música discreta de fundo. Fabiana apresentou-me às mulheres da família. — Esta é Lucia, a esposa do futuro Don. — Falou com orgulho. — Ela é linda, Fabi. Adorei esse cabelo. A propósito, me chamo Laura. Irmã do Antony. Recebi beijos no rosto, elogios ao vestido, perguntas sobre minha origem. Respondi como pude, como Lucia, sempre sorrindo, mesmo quando o estômago revirava. E não consegui guardar todos os nomes. Vinícius manteve-se sério. Às vezes pegava minha mão por baixo da mesa, apertava levemente, e voltava a conversar com os homens ao redor. Penso que não era afeto — era algum controle. Mas aquele gesto me dava uma estranha sensação de segurança. Quando a sobremesa foi servida, ele inclinou-se para mim. A barba roçou de leve minha orelha quando sussurrou: — Vamos. A melhor parte vem agora ragazza. Hoje você não escapa. Arrepios percorreram minha espinha. Olhei para ele, mas seu rosto não tinha espaço para brincadeira. Era uma promessa. Uma sentença. E eu sabia que precisaria resolver isso. Levantei-me em silêncio. Os olhares seguiram cada movimento nosso. E enquanto caminhava ao lado dele, pensei: talvez a cerimônia tenha sido um contrato… mas o verdadeiro casamento começaria agora. Ele deu um jeito de me tirar do casamento sem muitas perguntas. Talvez aquelas pessoas até esperassem pelo que aconteceria. Então as memórias voltaram a me atormentar, me fazendo lembrar da minha primeira noite de núpcias... . Lembranças: "Eu ainda tinha um sorriso no rosto quando entrei no quarto principal reservado aos noivos. — Tire o vestido. — Tirar? — Sim, é surda? Obedeci. Meu pai havia sido claro, se Giovanni me devolvesse por qualquer motivo, eu pagaria sob tortura. Eu não sabia o que esperar, fiquei sem graça, só de lingerie, mas ele me mandou tirar tudo. — Deita e abre as pernas na cama. — Ele pegou uma vassoura que estranhamente estava encostada na parede e separou do cabo, vindo perto de mim. Tive medo dele me bater. — Mas Giovanni... O que está acontecendo? Fiquei tão perdida. Minha falecida mãe já havia dito uma vez: quando se casar, seu marido colocará um órgão dentro de você. Vai doer, vai sangrar, mas será necessário. Precisa ser pura para casar com alguém de cargo importante. Só que apenas eu estava sem roupa, e o olhar dele pra mim era de raiva. — Obedece, p***a. Preciso tirar sua virgindade e mostrar para os membros que aguardam no outro salão. É uma questão de honra. — Mas... Ele me empurrou com as mãos, até que eu caísse na cama. Desesperada, tentei levantar, e ele forçando minhas pernas para ficarem abertas. Eu gritei. Entendi o que ele faria. Iria enfiar aquilo dentro de mim pra provar honra, e no dia eu nem sabia porque. Ainda não sabia que ele não tinha o órgão pra colocar. Fiz um escândalo. Ele me bateu na cara, tentando me fazer calar. Tapou minha boca, mas eu me defendi. Gritei e pedi por socorro. Ouvi um estrondo e a porta havia sido arrombada. Meu sogro entrou e me viu nua. Tentei me esconder com o lençol. E o velho estava furioso. — Estão todos comentando que você não tem controle sobre sua mulher. — Essa ridícula é fresca. p***a, coisa rápida e já levo o lençol. Só segura ela pra mim. Meu corpo gelou. Meu coração parou".
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