Desejo

1448 Words
Capítulo 15 Lucia Bianchi De olhos fechados eu senti o seu toque sobre o vestido, descendo da minha cintura para minhas coxas. Vinícius começou a me beijar mais rápido e senti meu corpo queimando de um jeito diferente. Eu só sabia que queria mais. Arranquei meus sapatos encostando um no outro. Sei lá, a sala de repente ficou muito quente. A mão que puxou a barra do vestido foi tão leve que quase não percebi; o tecido deslizou como quem entrega alguma coisa valiosa e, em seguida, Vinícius fez algo que me deixou tonta: parou. Apoiou meu queixo com a mão e mordeu meu pescoço. — Fica bem aqui, bela mia — murmurou, e as palavras vieram baixas, quase um pedido. — Só mais um segundo. Obedeço porque, naquele comando manso, eu senti uma autoridade diferente — não a do novo chefe da máfia, nem a do homem que se impõe por medo; aquela era a autoridade de quem me deseja, e deseja de verdade. Respirei. Ele sorriu, lento, lindo, com sua barba curtinha, desenhada, cabelos escuros, lábios carnudos e olhos verdes... e então a energia dele mudou. Foi quase instantâneo, como se uma chave girasse no interior dele e me deixasse mole. Eu resmunguei e ele mordeu a própria palma da sua mão. Num segundo, os dedões dele agarravam minha cintura com força, outro segundo e ele me beijava com fúria — um beijo que queimou e puxou ao mesmo tempo. O choque percorreu meu corpo: a boca que há pouco era macia transformou-se em algo urgente, impulsivo, faminto. Senti as costas arquearem, a vontade dele de me ter inteira num pulmão. Parei para pensar — por uma fração de segundo — se aquilo era realmente o que eu queria. E a resposta veio confusa, atravessada pelo sabor do medo e pela promessa de ser protegida, desejada. Coisa que nunca fui pelo homem certo. Ele parecia saber disso, saber que eu estava rendida. Entre um beijo e outro, murmurou: — Diga que é minha. Agora é minha, ragazza. A exigência não era uma ordem neutra; havia um tom de aflição nela, uma necessidade de certeza como se, sem minha confissão, alguma parte dele pudesse se perder. Eu disse, baixo, quase sem perceber: — Sou sua. Tome o que quiser. Ele riu — um som curto, quase alívio — e em seguida me puxou para mais perto. Nem acreditei que disse aquilo. O que ele está fazendo comigo? A mão que antes apertara a cintura passeou pelo meu ombro e demorou, acariciando como se pedisse perdão pelas coisas que ainda não sabia evitar. E então, de novo, a mudança: os dedos se fecharam nas minhas coxas com força que deixou um anel de calor. Uma mordida na minha boca, um beijo que me fez revirar os olhos. A impulsividade dele era isso: uma alternância sem aviso entre carinho e risco, como se vivêssemos num pêndulo eletrônico. Eu sentia cada oscilação como um choque — e, inacreditavelmente, não me afastava. Havia algo nele que me prendia, uma necessidade de ser a superfície onde ele descarregava as tempestades e, ao mesmo tempo, de me proteger quando a chuva passava. — Me promete — disse ele, muito perto do meu ouvido, e seu hálito era quente, tenso — que, se eu exagerar, você vai dizer. Me promete que vai me parar. Eu não sabia do que ele estava falando. Como iria parar se estava queimando como fogo? A promessa era absurda — eu m*l conhecia os contornos dele — e ainda assim soube que aceitá-la seria aceitar um risco calculado. Assenti. Ele sorriu tão brevemente que parecia um clarão. As mãos dele desceram e subiram, puxando, alisando, deixando sinais pelo meu corpo, com certeza — não brutais, mas reais: marcas que eu certamente sentiria depois como provas de que existira ali uma entrega intensa. Em certo momento, quando um carinho leve se tornou domínio, pensei que iria reviver o que aconteceu com Giovanni. Vinícius ergueu uma das minhas pernas com força, ouvi um barulho do vestido cedendo. Ele tocou minha coxa como se fosse seu vício. Vi nos olhos dele como ficou satisfeito. Mas havia diferença: quando Vinícius apertava, meus protestos eram ouvidos; quando mordia, ele mordia também a própria palma, um gesto maluco de controle, como se ao infligir dor a si mesmo conseguisse dividir a carga. Vi a confusão nos olhos dele — um lampejo de culpa tão rápido que quase passei batido — e isso me deu permissão para corresponder. — Você cheira flores. Isso é um perigo bela mia. — Ele deve gostar, porque não para de beijar meu pescoço. A alternância não era só física. As palavras vinham quebradas: ordens, sussurros, promessas cortadas por risos que não chegavam a ser despreocupados. Ele me chamava de nomes que ninguém mais tinha o direito de usar e, entre uma palavra dura e um carinho, dizia coisas mansas para minha pele: — Fica comigo. Não me deixa sozinho quando eu explodo. O que isso significa? Eu poderia ter tremido de medo, mas tremi de outra coisa... Não sei o que, mas minha perna parecia fraca. — Eu quero ser sua. Como fazemos isso? Machuca? — Não. Não vou machucar. Eu prometo. E eu confiava. Se ele me mandasse fechar os olhos, fecharia. Porque senti algo de errado e completamente insano. A fúria que eu via nele dava lugar a algo que precisava ser acolhido, e eu, apesar do pavor, queria cuidar daquela ferida que se abria e fechava com tanta violência. O beijo dele tinha gosto de vinho, de urgência. Meu corpo estremeceu e, antes que eu pudesse reagir, Vinícius me ergueu do sofá de novo. — Para onde está me levando? — sussurrei, olhando em volta. — Alguém pode ver... Ele riu, curto, e inclinou a boca contra meu ouvido. — Que vejam. Quero que todos saibam que você é minha. — Vinícius... — protestei, tentando esconder o rosto no pescoço dele. — Shhh... — ele roçou a barba no meu queixo, e depois completou, firme: — Ninguém ousa entrar aqui sem a minha ordem. Você não tem do que se envergonhar. As mãos dele ergueram o vestido e apertaram minhas coxas, subindo devagar, até me sentir tremer. Eu agarrei o ombro dele com força, dividida entre a vergonha e uma vontade nova, desconhecida, que queimava dentro de mim. Ele empurrou a porta do quarto com o pé e me jogou suavemente sobre a cama. O colchão cedeu, meu vestido espalhou-se como um mar de tecido pesado em volta. — Fica quieta. Quero ver você inteira. — disse, puxando a saia com brutalidade, até rasgar um ponto do tecido. — Vou comprar outro. Esse não me importa. Arfei. O ar escapava da minha garganta em soluços contidos, mas quando os dedos dele encontraram o fecho e soltaram, meu corpo todo se contraiu. O vestido saiu. Fiquei só de roupa íntima, escondendo os s***s com os braços. — Não. — ele afastou minhas mãos e pousou os dedos sobre minha pele. — Não esconda nada de mim. Seus olhos verdes me devoravam, descobri que jamais conseguiria negar algo a ele se falasse comigo assim. Tentei respirar enquanto ele arrancava a camisa. Gente! Era lindo demais. Mais que ontem, muito mais do que eu lembrava. E estranhei tantas tatuagens que antes não tinha. — Fiz na noite passada — respondeu como se ouvisse meus pensamentos. E então ele abaixou a boca, mordendo de leve o topo do meu seio antes de lamber, lento, até arrancar um gemido que tentei sufocar. — Vinícius... — sussurrei, surpresa com a própria voz, mais doce do que pensei que pudesse soar. Ele ergueu a cabeça, os lábios ainda úmidos. — Quero ouvir mais disso. Entendeu? O peso dele me dominava, mas não era com violência — era como se meu corpo fosse o centro do mundo dele naquele instante. Deslizou a palma pela minha barriga, subindo e descendo, olhando cada detalhe com seus dedos. — Toca em mim. — ordenou. — Eu...? — hesitei, sentindo o rosto queimar. — Agora. — pegou minha mão e levou até o peito dele, quente, rígido. — Quero sentir seus dedos aqui. Quero saber que não estou sozinho. O coração dele batia forte, acelerado. Passei a mão como ele pediu, e vi o olhar dele mudar — daquela fúria controlada para algo mais vulnerável, quase agradecido. — Isso. Vou te ensinar como gosto Lucia. Vou te fazer gemer e implorar pra que eu te procure. Você vai me querer todas as noites... Ele me puxou de volta, beijando com mais força, até que as roupas restantes foram arrancadas. Uau! Completamente nus e com esse desejo que me invade...
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