Perversidades.

1132 Words
Késsia. Eu não sei a que distância de mim ele estava. A rapidez com que ele atacou minha boca foi surreal. Esse beijo, eu não tinha sentido essa sensação. Era boa, meu estômago revirava. Parecia que meu corpo queimava com rapidez de dentro pada fora. Eu estava quente, extremamente quente. Mas eu não queria parar o beijo. Agarrei a nuca dele, me pressionando ainda mais contra o seu corpo. Minha respiração começava a falhar. Eu nunca tinha dado um beijo tão longo quanto esse. Ele parou e se afastou uns centímetros. Sua mão continuou na minha cintura. Ficamos regulando nossa respiração por um bom tempo. --- Esse foi beijo mais longo que já dei. --- Bom que sim, sinal que vai ficar na sua memória. --- Bem convencido. Ele sorriu, e aquele sorriso. --- Vai admitir que gosta de mim? --- Não é o momento ainda, tenho algumas coisas para fazer antes disso. --- Tipo o que? --- Vai saber na hora certa. Eu não estava sendo difícil. Na verdade em partes sim. Mas por hora eu não queria estar em um relacionamento com ele. Primeiramente eu queria resolver a minha vida. Organizar um pouco meus problemas. --- Vou esperar. Nós dormimos ali. Apenas passamos a noite. Não é como se eu tivesse vindo aqui pra ter minha primeira vez com ele. Na verdade eu até que pensei isso quando vim. Logo mudei de idéia. Se eu fosse me entregar a alguém por completo eu deveria ter certeza dessa escolha. Nesse momento nós dois estávamos voltando pra casa. Já era um pouco tarde, eu tinha decidido explorar o lugar depois que acordei. Assim que abrimos a porta todos nos olharam. Tinha muita gente ali na sala. --- Qual o problema? Eles pararam de nos olhar e focaram suas atenções no que faziam antes. Nós subimos as escadas. Eu precisava de um banho e acho que o Thomas iria sair. Os outros três estavam esperando ele na sala. Eu não sei o que ele esperava que eu fizesse. Ele ficou parado esperando algo que eu não sabia o que. Apenas me despedi dele e entrei no quarto. De banho tomado fui pra cozinha, Paola estava ali com minha mãe. --- Bom dia mamãe. --- Bom dia filha. Dei um beijo na bochecha dela, ela gostava disso. --- Bom dia Paola, está melhor? --- Bom dia, estou quase inteira. Assenti e fui pegando algumas coisas para fazer meu café da manhã. Minha mãe já tinha saído da cozinha. --- Quer também Paola. --- Quero. Antes que eu começasse a cozinhar lavei minhas mãos. --- Eu posso ir contando tudo pra você enquanto cozinha. --- Seria uma boa, se não se importa. --- Eu não nasci em uma família tão boa quanto a sua. Aquela mulher que me viu matando era a minha mãe, ou não, nenhuma mãe faz o que ela fez. Por treze anos eu sofri o pão que eu d***o amassou na mão daquela mulher. Eu não conseguia entender, ela tinha mais que dez filhos, e todos eles já foram tocados intimamente por ela, existe um monstro pior que esse? Quando ela falou aquilo eu levantei minha cabeça e olhei pra ela. Eu não podia acreditar que existia alguém tão sujo ao ponto de abusar do próprio filho. --- As pessoas que você mata não chega aos pés da pervisidade que aquela mulher tinha. Ela nos deixava passar fome, sede, sem banho, dormíamos no chão, e ainda tínhamos que ficar quieto se ela quisesse tocar em nós. Chorar não adiantava muito, só dava mais combustível a ela a fazer pior. Eu arregalei os olhos com o que ela disse. Como alguém podia ser tão psicopata a esse ponto? Sim, eu tinha alguns traços psicopatas mas nada comparado àquilo. --- Tem noção de quantas crianças já foram tocadas pela aquela mulher? E as que foram mortas por ela ou por algum amigo sujo dela que as estruprava, consegue imaginar a quantidade? Eu juro, se aquela mulher ainda se encontrasse viva eu faria questão de a torturar por dias. --- Alguns de nós tiveram sorte, dos nove irmãos que eu tinha na época apenas cinco saíram vivos contando comigo. Somente quatro de nós sobreviveram. --- O que aconteceu com o outro? --- Era uma garota, um homem a matou, ela confiava fácil, apesar de todo sofrimento ela acreditava na bondade das pessoas. Ela morreu por que acreditava em algo bom que não existia. Eu e os outro três só sobrevivemos por que entramos no mundo do crime. Eu senti pena, me senti triste por todos os anjos que passaram pela mão daquele demônio. --- A briga que me meti ontem foi por saí da organização. Eu não estava mais concordando com todas as ordens e tudo o que faziam lá dentro. Se não tivesse chegado eles teriam me matado. --- Com o que não concordou? --- Descobri que eles roubavam e vendiam crianças. Algumas delas até eram criadas para se casar com velhos asquerosos. Não tenho dificuldade em obedecer e ser leal a alguém. Mas isso não vale para qualquer um. Eu entendia bem o ponto dela. Nem dá pra ser leal a alguém que machuca seres indefesos. --- Vai trabalhar comigo? --- Vou, não preciso de dinheiro, se me oferecer casa e comida, já está bom. --- Que maluquice é essa? Todo trabalho receberemos uma boa quantia, tudo é repartido ao meio, pode continuar morando aqui, mas vai receber seu dinheiro também. --- Vai me pagar metade? --- Sim, daqui a poucos meses você estará milionária. --- Você já é milionária? --- Talvez eu seja, não costumo olhar o saldo da conta. --- Obrigada. --- Pelo o que? --- É a única pessoa que foi boa comigo. --- Sem melação, só costumo fazer isso com minha mãe. Rimos juntas, o sorriso dela era bonito, não tinha visto até agora. Eu voltei para o meu café da manhã. Enquanto preparava nosso café eu fui explicando sobre o trabalho pra ela. Cada detalhe deveria ser passado, ela deveria saber sobre tudo. --- Não vou querer usar a máscara que sua ex companheira usava. --- Pode escolher uma então. --- Posso usar uma igual a sua? --- Claro, você quem sabe. Era bom saber que eu voltaria ao meu trabalho novamente. Estava ficando chato não matar nenhuma pessoa r**m. Meus dias estavam ficando tediosos. Logo nós duas entraríamos em ação. Já tinha alguns trbalhos marcados para a próxima semana. Seria o tempo de Paola se recuperar. Não podíamos trabalhar com uma de nós machucada. Isso poderia atrapalhar nosso desempenho. Ela já era boa em luta. De arma ela preferiu o soco inglês. Eu não me importei, ela deveria escolher a que se sentisse melhor usando. O importante era que ao fim os alvos estivessem ao chão.
Free reading for new users
Scan code to download app
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Writer
  • chap_listContents
  • likeADD