Júlio Narrando Estava exausto, tentando me manter de pé com a força de um café forte. A noite com a Vivian tinha sido intensa, como sempre. Ela é um furacão insaciável. Quando estamos juntos, é como se o mundo lá fora desaparecesse. A maneira como ela se entrega a mim, sem reservas, me faz sentir um homem completo. Mas isso também tem seu preço, e hoje o preço era o sono acumulado. O refeitório estava quase vazio. Peguei uma xícara de café e um pão simples, na tentativa de recarregar pelo menos um pouco das energias para o restante do plantão. Foi então que senti a presença dele. Miller. Já sabia que coisa boa não viria. Ele está com raiva com certeza, já que aqui no hospital todo mundo sabe do meu relacionamento com a Vih. — Então é isso, Júlio? — começou, com aquele tom sarcástico. —

