Capítulo 8: Enfim, um casal!
Não foi fácil para Kara aceitar aquela proposta e muito menos aceitar o acordo. Não era do seu feitio enganar as pessoas, ela era a garota confiável da vizinhança, a garota ao qual todos viram crescer e agora ela estava enganando não apenas seus vizinhos, mas também todos ao redor dela e de Blake. Ela ainda não havia conhecido os pais dele, apenas os amigos, Jake e Marcos (com o qual ela já havia tido algum contato) e também o irmão de Blake, Noah. Eles sabiam sobre o casamento ser uma farsa e todos assinaram um contrato de confidencialidade, assim como Chloe, que estava muito ocupada naquela semana com a organização de uma exposição na galeria que ela trabalhava.
Kara saiu da clínica levando consigo uma pasta com todos os cuidados que ela deveria ter para conseguir engravidar por meio de fertilização. Aquela foi a sua proposta irrecusável, além do fato de que qualquer toque de Blake custaria a ele dez mil dólares. Ela pensou por dois dias no que pediria ao homem loiro e fato de ainda estar assustada, mesmo que não quisesse, com o que Caleb havia tentado fazer. De início ela pensou em adicionar ao contrato uma cláusula de fidelidade, principalmente depois que Kara e Chloe passaram uma noite inteira vendo todas as notícias que poderiam encontrar sobre Blake Coleman. Ele era um galinha e na maioria das vezes um canalha. Um lindo canalha. Em todas as notícias que o citavam sempre haviam mulheres envolvidas e quando não estava acompanhado de belas modelos, ele estava sendo preso por agressão e brigas. Também foi apreendido com drogas uma e vez por estar supostamente em um racha.
No fim daquela pesquisa, Kara determinou que não queria se apaixonar por Blake e que também não queria ser traída por ele, não quando ele era algum tipo de figura pública. Por isso ela ligou para Marcos e o questionou sobre alguma cláusula de fidelidade que talvez ela não tivesse percebido. Dito e feito, Blake não era egocêntrico — ao menos foi o que Marcos disse — e sabia que mulher alguma aceitaria passar um ano inteiro vendo o homem com que estava casada, mesmo um casamento falso, com outras mulheres.
Foi então que Kara decidiu que evitaria Blake. Ela criou uma cláusula de não sexo. Na clausula ela permitia abraços e até beijos em público — ela não era ingênua, sabia que eles teriam de se beijar para comprovar o relacionamento —, mas quando estivessem sozinhos isso custaria dez mil dólares para quem tomasse a iniciativa.
— Senhorita, nós chegamos! — Edgar, o motorista que Blake havia contratado, disse quando eles chegaram em frente ao restaurante quatro estrelas.
Desde de que Edgar apareceu na porta de Kara com o anel de noivado, há três dias, ele não a deixava fazer nada sozinha e apesar da morena ter tentado reclamar ele disse que seu chefe não queria que ele se distanciasse dela. Kara resmungou e tentou falar com Blake, mas ele estava ocupado com um contrato multimilionário. Edgar a estava acompanhando até no trabalho e aquilo a incomodava.
— Obrigada, Edgar!
Kara saiu do carro sem esperar que o homem abrisse a porta do carro para ela e adentrou o restaurante. Ela foi recebida pelo hostess, um homem em um terno elegante, com a barba bem feita e extremamente educado.
Antes que ela se apresentasse ele a comprimentou.
— Senhorita Williams, poderia me acompanhar?
Ela acenou em resposta e o seguiu até uma mesa perto das janelas onde estava o lindo homem de olhos azuis olhando.
Blake se levantou e puxou a cadeira para Kara, sem quebrar o contato visual. Mas eles não permaneceram se olhando por muito tempo, ela se sentou e ele quebrou o contato visual para dispensar o hostess.
— Como você está? — Blake perguntou, ficando de frente para ela.
Eles não se viam desde o dia em que ele havia apresentado os amigos para ela.
— Bem! E você?
Aquilo era tão estranho, ela se sentia uma adolence no primeiro encontro.
— Estou bem, tive que resolver algumas negociações da empresa, por isso não consegui atender suas ligações.
Em três dias ela ligou 16 vezes para ele. Blake devia pensar que ela era louca ou algo tipo.
— Me desculpe… — ela mordeu o lábio inferior envergonhada. — Não queria que me achasse uma louca, mas não gostei de ter contratado um motorista para mim.
Ele riu.
— Por isso me ligou tantas vezes?
— Sim! Não gosto de alguém observando cada passo que eu dou.
— Pensei que havia desistido… — ele disse levantando o cardápio para ler melhor.
— Fizemos um acordo e não vou quebrá-lo. Mas pode fazer algo com Edgar? Me sinto sufocada e nós ainda nem casamos.
Ele não tirou os olhos do cardápio para responder.
— Edgar foi contratado para te proteger.
— Pensei que você trabalhasse em uma imobiliária e não como mafioso…
Ela estava com raiva.
— Ainda nem trocamos nossos votos e já estamos tendo uma discussão? — Blake finalmente deixou o cardápio de lado e olhou diretamente para Kara.
— Edgar está quase fazendo meu trabalho por mim, o que ele fará? Ele vai colocar um avental e servir os clientes para mim? Ou será que ele colocara meu uniforme?
— Talvez você não devesse continuar trabalhando naquele lugar. — comentou indiferente.
— E o que eu faria? Ficaria em casa preparando o jantar para o meu maridinho? Ou lavando a roupa, enquanto espero você chegar do trabalho? Não sou esse tipo de mulher, senhor Coleman.
— Notou que você nunca me chamou pelo meu nome?
— O que?
— Você acabou de me chamar se senhor Coleman.
— Eu não prestei atenção.
— Então diga o meu nome!
Antes que ela respondesse, as mão dele estavam passeando pela coxa dela por baixo da mesa.
— O que você está fazendo? — se assustou.
Ela se afastou um pouco por conta do susto, mas não totalmente, já que as pessoas estavam observando.
— Eu estou esperando que me chame pelo meu nome.
Ele falava sério, mas Kara pôde ver a diversão nos olhos de Blake.
Ele continuava massageando a mulher por debaixo da mesa. Mesmo que o jeans que ela usava não permitisse que ele sentisse a pele dela, ele estava adorando provocá-la.
— Isso vai te custar dez mil…
Kara estava se perguntando porque nenhum garçom havia ido atendê-los.
— São apenas dez mil. Apenas diga meu nome, não pode ser tão difícil…
Ele deixou um aperto na coxa da mulher, fazendo ela soltar um gemido.
— Blake… — ela se rendeu e ele a deixou.
Ela soltou o ar que nem sabia que estava segurando.
— Gosto de como o meu nome soa na sua voz, se puder me chamar sempre assim Kara…
— Voce é um i****a, Blake.
— Parece que você aprende rápido.
Antes que ela pudesse retrucar, o garçom finalmente apareceu para pegar o pedido deles.
— Não sou machista, Kara! Mas a menos que você consiga terminar sua faculdade de Publicidade e trabalhar, não tem problema pra mim. Contanto que isso não afete a sua saúde nem a do meu filho. — e lá estava ele sério novamente.
— Eu ainda não estou grávida e não pretendo retomar a faculdade agora, tenho muito o que resolver ainda.
— Eu não te entendo… — ele disse antes de beber água.
— Sou eu quem não te entende, você é bipolar? Como consegue ser o maior i****a no mundo em um minuto e em outro pode ser carinhoso? Ou seja lá o que for isso.
— Então parece que nós dois temos muito o que aprender um sobre o outro.
Os pratos chegaram e eles comeram em silêncio.
Kara não entendia porque as mudanças de humor de Blake estavam deixando ela incomodada.
Fato um sobre Blake Coleman: Ele tem uma batalha interna.
A morena guardou isso para si, enquanto recebia alguns olhares de Blake.
°°°
Eles passaram todo o almoço em silêncio e quando saíram juntos, Blake não pôde evitar tocá-la. Ele estava se segurando o máximo que podia, mas sonhar com ela três noites seguidas não ajudava quando ela ficava tão gostosa com aqueles jeans. Talvez por isso ele agarrou a mão dela, para guiá-la até a saída, mas também para aproveitar o efeito que o toque dela tinha no corpo dele. E talvez tenha sido por isso que ele a beijou enquanto eles esperavam trazerem o carro dele.
Ele aproveitou para passear por todos os locais possíveis quando ela cedeu e aprofundou o beijo. Blake queria saber qual o gosto dos lábios dela. E tomá-los para si em público não haveria nenhum problema, já que estava dentro das regras.
Se seus pulmões não estivessem implorando por ar, ele não teria se afastado levemente da pequena mulher que estava embriagada com o efeito dos lábios de Blake.
— Para onde você vai agora?
Ele sabia que ela havia tirado o dia de folga. Blake também sabia que ela havia ido até a clínica fazer alguns exames, ele também teria que ir, mas estava atrasando porque ainda estava assustado com a ideia de ser pai de alguém. Uma criança era definitiva, algo para toda uma vida.
— Vou passar a tarde com meu pai e contar a ele sobre nós.
— Podemos fazer isso juntos, se você quiser é claro.
— Achei que você voltaria para a empresa.
— Ainda tenho uma hora livre e eu ia mesmo ver o Jake.
Desde que Kara havia aceitado o acordo com Blake ela não tinha conseguido passar muito tempo com ele e nem comentar sobre o casamento que se aproximava. Esse foi um dos motivos para tirar o dia de folga.
— Acho que posso aceitar sua carona.
Kara não confiava em si mesma perto de Blake, não depois de ter cedido tão rapidamente aquele beijo. Talvez, apenas talvez, as coisas não fossem tão fáceis como ela havia imaginado que seriam.
O manobrista entregou a chave e o carro para Blake que abriu a porta do passageiro para que Kara pudesse entrar. Ela agradeceu, baixo.
Inicialmente o caminho foi silencioso, de um modo constrangedor. De tal forma, que Kara não conseguia olhar para ele.
— Não quero me meter, mas deveria conversar com seu pai sobre sobre uma internação…
Só então Kara percebeu que não estava mais sendo incomodada pelos homens que eu seu pai devia. Ela olhou rapidamente para Blake.
— Oh, droga! Você pagou a dívida do meu pai.
Não era uma pergunta, mas ainda assim sua surpresa foi inevitável.
— Não foi tão difícil. — deu de ombros.
— Eu não entendo porque fez isso, eu pretendia pagar as dívidas de jogo do meu pai. Não pedi que fizesse isso e nunca pediria.
— Vamos nos casar, Kara. Não me importo com os problemas que o seu pai tenha, apenas em como isso pode afetar meus planos.
A dureza com que as palavras saiam da boca de Blake, espantaram Kara.
— Então tudo o que importa é você, Blake? Como os seus planos darão certo? Ou como você se imagina melhor que todo mundo?
— Porque você está sempre discutindo comigo?
— Simples, porque você abre a boca!
— Se quiser me manter de boca fechada, poderia simplesmente me beijar. — Blake zombou com um sorriso safado.
— Você deve ser bipolar. — Kara sussurrou.
Blake ouviu e gargalhou.