Capítulo 5: A proposta
— O que você descobriu, John?
Blake estava finalmente reunido com o detetive que havia contratado para investigar a senhorita Willians e outras três mulheres com quem ele estava disposto a se casar, mas algo o levava a querer que Kara Williams fosse a única a ter motivos para fazer um acordo matrimonial. Ela havia despertado o interesse dele de alguma maneira, de um modo que ele não conseguia entender ou explicar.
O homem careca pegou uma bolsa marrom, que estava com ele, e retirou quatro pastas, cada uma com uma foto, nome das mulheres e todas as informações existentes sobre elas.
Blake pegou a pasta de cima, Cecilia Davis, 27 anos, 1,68 de altura, além de várias fotos dela com animais de diferentes espécies.
— A senhorita Davis está trabalhando em um abrigo de animais, além de liderar um movimento na internet que pede o fim da criação de animais em cativeiro. Por ser filha de um homem importante, um magnata do petróleo, ela não tem muitos problemas e é tranquila. — John disse enquanto Blake observava cada uma das fotos da pasta em suas mãos.
— A segunda… — começou quando Blake trocou de pasta. —, se chama Emily Scott, tem 26 anos e é enfermeira recém formada. Ela é uma mulher simples que está com problemas por causa de ter um irmão doente que está internado em uma clínica mais cara do que ela pode pagar.
Blake reparou que Emily era uma mulher muito bonita. Alta e com um belo sorriso, além de lindos fios loiros.
— A senhorita Eaton é uma inglesa tentando fazer fama na Broadway. Tem 23 anos e é uma ótima dançarina. Ela está com dificuldade com o visto, mas planeja se casar em breve com um colega da companhia de dança que faz parte.
Outra bela mulher, mas essa estava fora de questão. Normalmente bailarinas não desistem de suas vidas para engravidarem por um acordo, ao menos nenhuma das que se envolveram com ele.
E ali estava, a última pasta, aquela que o faria tomar uma decisão.
— E por fim, Kara Williams, 1, 63 de altura e 22 anos de idade. Ela começou o curso de publicidade, mas nunca concluiu. Além de muito bonita, trabalha como garçonete. O pai dela está desempregado e é viciado em jogos de azar, o homem tem uma dívida enorme com o dono de um cassino clandestino e por causa disso está entre a vida e a morte. Eles também têm uma dívida de hipoteca com a casa.
Blake sabia apenas sobre a dívida dos Williams com o bando, mas jamais poderia imaginar todo o resto e tudo era muito melhor do que ele poderia querer. Ali estava sua escolha, a bela morena seria sua esposa em algumas semanas.
— Você fez um ótimo serviço, esse material vai ser muito útil. — Blake disse sorrindo, olhando para a pasta em suas mãos.
•••
Blake já havia decidido, faria Kara se casar com ele e havia mandado Marcos fazer o contrato com todas as cláusulas e valores definidos. Quase tudo estava pronto, faltava apenas ele propor e era o que faria dentro de alguns minutos. Desde que entrou no seu carro a caminho da casa de Kara ele pensou em maneiras de convencê-la, mas ele não fazia ideia de como fazer sem ofendê-la.
Blake descobriu que a casa de Kara seria tomada pelo banco, porque a empresa está se interessando naquela área para iniciar uma construção industrial e ao pesquisar um pouco acabou descobrindo o problema dos Williams com o banco. Mesmo que de início ele não tenha dado muita atenção, logo surgiu a ideia do acordo matrimonial, que o levou diretamente a pensar que Kara podia ser uma opção. Não por algo específico, ele apenas ficou intrigado com aquela mulher.
Blake não entendia a si mesmo, ele faria o que fez por Kara por qualquer pessoa que estivesse na mesma situação. Era mínimo. Mas ele queria saber se ela estava bem, mesmo não querendo demonstrar, se ela estava chorando lembrando que existia um cara mais babaca do que ele que havia tentado abusar dela. Mas, aparentemente, ela não tinha tempo para isso. Tinha que se martirizar resolvendo os problemas criados pelo seu pai.
Blake parou seu carro em frente a casa de Kara, ele sabia que ela estaria em casa. Na verdade, ele sabia mais sobre a vida dela do que ela mesma.
Ao sair do carro, ele caminhou normalmente até a frente da casa, onde tocou a campainha.
•••
Kara estava enrolada em uma toalha, quando ouviu a campainha tocar. E pensando que pudesse ser a Chloe, ela não se importou em se vestir para abrir a porta.
Ela havia pedido um dia de folga para tentar resolver os problemas que estava tendo com o seguro e também queria aproveitar para passar a tarde com seu pai.
Quando ela abriu a porta e viu o homem com um terno que ela poderia jurar que custava mais do que a casa dela, pois era feito sob medida para o corpo musculoso do homem. O terno era perfeito, mas o homem fazia parecer sem importância a existência das peças.
— Olá? — Ela disse confusa.
Kara não o estava reconhecendo e apesar de achar o loiro, de mais de 1,80 de altura, lindo e extremamente atraente, ela esperava que ele estivesse ali para cobrar algumas das dezenas de dívidas que ela estava descobrindo aos poucos. Ou talvez ele trabalhasse para o banco, já que estava bem vestido, e poderia estar indo tomar a casa sem um aviso prévio.
— Olá, senhorita Williams! — Ele respondeu simples, observando cada detalhe da pequena mulher.
Blake olhava para Kara de cima a baixo, além de catalogar cada detalhe do rosto da mulher, como se ela fosse uma obra de arte produzida por Picasso e admirando-a como uma composição de Chopin, ele também sorria imaginando o sabor dos lábios dela. E ela estar seminua ajudava bastante.
— Quem é você?
Ele entortou o lábio. Ela não se lembra de mim?
— Não se lembra de mim realmente?
Ela negou, buscando em sua mente se já o havia visto e mesmo que a voz do homem fosse familiar, não conseguia lembrar dele.
— Sinceramente, não!
— Eu me chamo Blake Coleman… — se apresentou. —, fui eu quem a salvou à alguns dias atrás.
E com aquelas palavras, vieram memórias que ela havia deixado o mais fundo que conseguiu em seu cérebro. Mesmo que Caleb não tenha conseguido fazer m*l a ela, graças ao homem que estava na frente dela, ainda era doloroso se lembrar do toque e dos beijos indesejados que recebeu. Kara se sentia enojada consigo mesma, ela se sentia suja. Por isso preferiu esquecer — ao menos tentar — de tudo para continuar vivendo sua vida tranquila.
— Ah meu Deus! É verdade! Me perdoe, eu… não... é… — Kara acabou se embaralhando nas palavras, principalmente por perceber que estava apenas de toalha. — Me desculpa, você gostaria de entrar? — Ela abriu espaço, corada.
— Eu adoraria. — Blake passou por ela, adentrando na casa.
— Senta, pode ficar à vontade. — Kara disse, ainda nervosa, fechando a porta. — Você pode me dar um minuto?
Ele assentiu enquanto se sentava no sofá. Kara não esperou que ele falasse algo e subiu as escadas apressada. Ela não demorou muito para se vestir, além da roupa íntima, Kara escolheu um vestido leve e fez um r**o de cavalo no cabelo.
Ela não levou nem dois minutos para retornar a sala e fica de frente para ele oferecendo algo para ele beber.
— Você aceita alguma coisa? Água ou…
— Não! — Blake a cortou.
Ela assentiu com a testa enrugada e se sentou na poltrona próxima ao sofá em que ele estava.
— Como você descobriu onde eu moro? — Ela ousou quebrar os instantes de contato visual que os dois estavam tendo.
— Não acho que essa seja a pergunta correta, mas antes de você a faça eu gostaria de saber se você está bem. Sabe, depois daquele dia… Eu não sei! Aquele cara voltou a importunar você?
Blake sabia a resposta para cada pergunta que fez, mas ele necessitava ouvir da boca dela.
— Eu estou bem! — Ela sorriu sem mostrar os dentes.
Ele ficou preocupado, porque? Ela pensou.
— E não, aquele cara não voltou a me incomodar.
— Que bom!
A única coisa que ele não havia entendido era o porquê dela não ter denunciado ou pedido alguma medida protetiva.
— Você veio aqui por isso? — Kara disse umedecendo os lábios.
E Blake observou aquele movimento com muito cuidado e astucia.
— Na verdade não, eu vim aqui porque tenho uma proposta para fazer pra você? — Blake disse com uma expressão séria, diferente de todas que ela tinha visto até aquele momento.
Kara pensou em sorri, mas logo percebeu que o homem não estava brincando.
— Uma proposta? O que um homem como você poderia me propor? — perguntou com as sobrancelhas franzidas.
— Casamento! — disse indiferente.
Dessa vez ela não se segurou, Kara gargalhou e recebeu um olhar de estranhamento por parte de Blake.
— Casamento? — Kara perguntou, tentando parar de rir. — Você está brincando? Por que se não estiver, você está louco.
— Eu não estou brincando e muito menos ficando louco. Tudo o que peço é que você me escute, sem me interromper...