02. Pervertido

2072 Words
Nikolai — Hoje não é um dia especial para estarem me trazendo até aqui — Murmuro e meus irmãos reclamam sobre como eu não sei aproveitar a vida, que sou chato demais para fazer qualquer coisa com eles. — Não precisa ser um dia especial para você vir a uma boate e ver umas mulheres lindas dançando — expõe Egor, como se quisesse afirmar que a parte divertida da vida eu deixei completamente para trás sem chance de buscar. — Além disso, hoje tem o show de pole dance da Rubi, então deveria me agradecer por conseguir lugares para gente, quando é show dela isso aqui lota. Os seguranças parecem reconhecer meus irmãos, por isso, sequer pensam em revistá-los, e como Egor gosta de dizer, aqui é um paraíso onde não precisamos nos preocupar tanto com nossa segurança, pois a equipe de segurança deles é de primeira linha, tudo que alguém com dinheiro gostaria de comprar. Porque haveria tanta segurança em um lugar como este é que não tenho ideia. É bem claro pela organização, cheiro e decoração que não é uma boate qualquer, mas não muda o fato do que é feito aqui dentro e considerando a quantidade de andares, posso apostar que há muitas coisas criadas aqui. — Sabe que ele é igual a um velho — discorre minha irmã que já está mexendo o corpo seguindo o som da música que começa a ficar mais alta após alguns passos. Sofiya deve ser a mais energética de nós, uma noite regada a bebidas não deve ser o bastante para ela. — Aproveite, irmão, está de volta em casa. — Ela tem razão — afirma Avel, se adianta com ela para chegarem no epicentro da música alta. — Sei que pode estranhar por ser um plano feito por nossos pirralhos, mas eles estão certos, desde que voltou tudo que tem feito é trabalhar, precisa encontrar uma mulher gostosa e f***r um pouco para aliviar a mente — atesta Egor. — Tenho certeza de que tem feito isso por nós dois — brinco e não n**a, como poderia? Todos sabem sobre a sua fama como um belo cafajeste, tenho até pena das mulheres que um dia pensaram que poderiam ter uma chance com ele, é impossível fazer com que fique na linha. — Eu trabalho e depois fodo, não é a ordem das coisas? — Não sei do que está falando — digo e ele começa a sorrir, continua a indicar o caminho para o camarote vip para o show da tal de Rubi. Não tenho ideia do que ele vê nela, mas sempre elogia o seu trabalho. — Se eu odiar você quando isso acabar, não me culpe. — Se você ficar apaixonado, não me culpe — rebate, se senta já chamando a mulher que está aqui para nos atender. Sofiya está empoleirada para ver a apresentação de mais perto enquanto Avel mira algum lugar que eu não posso ver, mas está muito concentrado nisso, ao ponto de não notar que percebi o que está fazendo. — Ah, ela está vindo — anuncia Sofiya. — Será que ela me daria algumas aulas se eu pedisse? — Se pergunta em voz alta quando as luzes diminuem dando um ar escuro e sexy para o palco com uma única barra vertical em seu centro e a mulher rouba suspiros somente com uma leve amostra de sua presença. Veste um vestido escarlate que se agarra em seu corpo de modo formoso trazendo os seus encantos sexys para fora até todos que babam quando nem mesmo começou a se mover com o som da música ousada, quando o faz é bem claro que respirações deixam de ser dadas, que os olhos se agarram unicamente a sua presença e nos fios escuros movendo-se com seu corpo De costas para a barra arranca o vestido, ficando apenas com um conjunto de lingerie da mesma cor, com as meias e cinta ligas agarrando-se a pele de modo apaixonado enquanto faz o seu show com maestria, derramando encantos que tomam suspiros e me fazem ter certeza dos motivos para que seus shows sejam lotados. Ao terminar tem no rosto o sorriso de uma predadora que sabe que terá uma boa refeição independentemente de onde for agora, pois já tomou conta de todas as presas no recinto. É uma mulher impressionante de fato. — Vixe que ele até ficou surdo — Ri Avel, aponta para mim e não tenho ideia do que está falando até notar que Sofiya também me olha curiosa e Egor ri horrores de mim. — Tá vivo ou precisamos da Rubi aqui para fazer você funcionar de novo? — Só ouço bosta saindo da sua boca — profiro rapidamente com ele sorrindo mais, aumentando meu constrangimento, já que não entendi quando virei o motivo para ser a piada da vez. — Até vi coraçõezinhos em seus olhos — atesta Avel, aumenta o nível da brincadeira. — Vai a merda — xingo, me encosto no recosto do sofá, pego do uísque que foi deixado ali pela sujeita que não vi entrar na sala, então talvez comece a entender o porquê de meu irmão estar me tratando como uma comédia ambulante, uma vez que não sou do tipo que deixa essas coisas passarem. Bons minutos depois, onde pudemos conversar sobre outros assuntos sem que meu irmão trouxesse o momento anterior à tona, discutimos sobre como as coisas tinham se rearranjado enquanto estava fora e do quanto nosso pai está feliz em me ter em casa novamente, contudo, sei que ele quer mesmo se livrar do trabalho. Com a bebida entrando sem parar chegou o momento em que precisei procurar por um banheiro, apertado como estava, não consegui esperar que o do andar onde estamos esvaziasse e desci para procurar por outro onde pudesse me aliviar em paz. No andar embaixo do nosso, os banheiros estavam podres demais para que eu me sentisse aliviado ao invés de enojado para usá-lo, desse modo continuei a minha procura infinita enquanto minha bexiga grita. Quando encontrei uma sala aberta pude notar que não seria o local mais ideal para minha invasão, contudo, com a bexiga reclamando da pressão, apostei que por ser um lugar onde as mulheres se trocam, as chances de haver um banheiro são grandes. A única coisa que pude notar antes de me enfiar dentro do banheiro é que parece ser o camarim de alguém. Com a bexiga vazia e mãos limpas, agradeci por não ter que procurar ainda mais antes de encontrar um banheiro usável. — Este não é um lugar onde você pode entrar como bem quer — Levo meus olhos a voz famigerada que me açoita e seus olhos parecem ainda mais prontos para me devorar inteiro, como um filé malpassado. Na minha frente está a mulher que fez com que meus irmãos me zoassem por vários minutos. Neste momento usa uma calça apertada jeans e um moletom grosso em um tom de verde musgo estranho. As botas de cano curto têm saltos grossos que poderiam esmagar bolas com uma boa vantagem. — O banheiro do andar de cima está um horror e o do meu andar estava ocupado — conto, esperando que não acabemos em uma situação perigosa. — E entra em uma sala qualquer sem aviso? E se alguma das nossas garotas estivessem se trocando? O que ia fazer? — Inquire. — Não pode entrar dessa forma, se retire antes que chame a segurança. — Você poderia... — E tenha certeza de não levar nada nos bolsos, saberemos se houver qualquer coisa faltando — fala e não tenho tempo para responder, já que continua falando sem parar e ainda me acusa, e de que? Roubar maquiagens? — Está achando que eu sou um pervertido? Sabe quem eu sou? — Nikolai Sokolov — diz e me surpreendo por saber realmente quem eu sou. Não fiz coisas o bastante para ser conhecido por pessoas como ela. Nem venho a essa boate como meus irmãos. — Um bom nome não impede pessoas de fazerem merda, se é que me entende. — Não sei se entendo. — Vai entender caso eu comece a gritar. — Está me ameaçando? — Estou pedindo para você sair. Pode ter pagado por alguma das salas no prédio, mas não por essa — atesta. — Está cometendo um engano. — Talvez, mas sabe o que mais tem dentro dessas paredes? Machos escrotos que não irão respeitar o que queremos, então, será um deles, senhor Sokolov? — O que eu posso dizer? Claramente está se defendendo segundo o que vivência, eu obviamente invadi o seu espaço, não posso criticá-la. — Deveria tomar um pouco mais de cuidado com a forma que fala. — É uma ameaça? — Apenas um conselho — digo e pisar fora da sala que me deu alívio e o inferno em questão de segundos foi ótimo. Como diabos ela pode agir dessa forma quando ouviu a minha explicação? Tenho certeza de que dá para ver na minha cara que não sou um pervertido, que não preciso de métodos escrotos para ter uma mulher na minha cama, que eu repudio qualquer um desses atos. Então por quê? Voltar para o meu andar foi como uma tragédia, pois contando para os meus irmãos o ocorrido voltaram a fazer de mim a melhor história para a sua diversão da noite e o que eu podia fazer? — Você tem que entender que as coisas são diferentes na Paradise irmão, aqui se você mexe com uma mulher seu corpo some — Diz Avel como se estivesse contando uma historinha para uma criança dormir. — Natascha, dona do lugar, trata essas mulheres como joias, se mexe com o que é dela, não fica só sem as mãos. — O que está dizendo? É uma boate — rebato. — É uma das boates mais seguras para qualquer mulher, por que acha que venho tanto aqui apesar de os shows masculinos serem poucos? — Discorre minha irmã. — A parte da segurança é muito real, eu te disse, foi o que fez a Sofiya gostar do lugar, mas dos corpos dos homens sumindo, não temos como saber, mas já vi a Natascha, aquela mulher parece pronta para apontar um fuzil para sua cara — articula Egor. E com a sua comparação sinto que tive uma sensação semelhante com Rubi, não era apenas como se estivesse pedindo para que saísse, era como se tivesse certeza de que me colocaria para fora, dando tempo de chamar os seguranças ou não. Há mesmo alguma coisa escondida entre esses andares? Não existem somente pessoas liberando seus desejos carnais aqui? Talvez deva falar com meu pai sobre a Paradise. — Se é alguém com tão boas intenções, não deveria ser aliada do nosso pai? — Questiono, mas meus irmãos se entreolham como se não pudessem dizer o que querem de fato sem fazer com que eu tenha um ataque e posso estar muito perto disso, considerando que fui confundido com um pervertido. Antes que possa continuar meus questionamentos, a porta da sala é aberta e vejo Rubi carregando uma bandeja com as novas bebidas pedidas por meu irmão e não sou o único a estar surpreso pela reação deles. Uma mulher na posição dela também trabalha entregando bebidas? Pela roupa que continua a vestir acredito que já se preparava para deixar o trabalho, então, por quê? E por que estou me questionando? Na verdade, deveria usar esse momento para ter certeza de que entendeu a situação no final das contas e de que não sou um pervertido. Manchar o nome da nossa família dessa forma seria uma desonra completa. Meu pai arrancaria minhas bolas se eu ousasse encostar em uma mulher sem a permissão dela. Seria castrado e enterrado vivo para jamais esquecer quão problemática foi minha ação. — A garota que cuidava de vocês teve um pequeno problema com a família, por isso serei aquela a atendê-los de agora até o momento em que finalizarem a noite, espero que não se incomodem pela mudança e aproveitem tudo que a Paradise pode oferecer — diz, coloca um sorriso nos lábios pintados de vermelho enquanto mantém seus olhos longe de mim com muita habilidade. — Está falando sobre oferecer tudo? — Questiono como uma clara provocação, apenas não imaginava que ela iria avançar para cima de mim não com uma faca, mas com uma arma .40 pronta para ser descarregada na minha cara.
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