Valente Narrando Papo reto… acordei bolado. Mas bolado nível máximo mesmo, daquele jeito que qualquer coisa atravessada já dá vontade de mandar todo mundo se füder. Levantei da cama e a Paula nem tava mais lá. Só o cheiro dela no travesseiro e o silêncio do quarto. — "Ela levantou sem falar nada" — pensei, passando a mão no rosto. — "Já sabe que eu tô bolado e preferiu não encarar de manhã." Fui direto pro closet. Precisava me arrumar. Sexta-feira no morro é dia sagrado e o pagode já ia começar. Mas minha cabeça não tava na festa. Minha cabeça tava nela. Paulinha. Passei a mão pela barba devagar, encarando o espelho. Meu reflexo voltou o olhar na mesma intensidade. — "Pørra…" — pensei, os olhos fixos na própria imagem. — "Toda semana a mesma novela. Será que ela não enxerga o quanto

