Nandinho Narrando Meu nome é Fernando. Mas ninguém me chama assim. Aqui no morro, na boca, na quebrada, eu sou o Nandinho. Sempre fui. Desde moleque. Vinte e três anos. Branco. Um metro e oitenta e cinco de altura. O corpo fechado de tatuagem dos pés ao pescoço. Cada desenho na pele conta uma história, cada cicatriz escondida embaixo da tinta tem um motivo. Nasci e cresci no Morro do Turano. Fui olheiro, fogueteiro, vapor, já fiz de tudo nesse corre desde menor. Aprendi cedo que favela não é lugar pra moleque mole. Aqui é sobrevivência. E eu sobrevivi. Cresci vendo a tropa crescer. Cresci sendo protegido pelo Magnata. Ele sempre olhou por mim, mesmo quando eu era só um pivete correndo pelado nas vielas. E conforme fui ficando mais velho, fui virando útil pra coisas que não podiam cair d

