Luísa Narrando Eu ainda estava tremendo. Não era um tremor de frio. Nem de nervoso comum. Era aquele tremor que vem de dentro, que começa no peito, sobe pela garganta e faz a mão perder a força. Raiva. Uma raiva tão grande que parecia que ia raspar minha pele por dentro, me consumir inteira. Cada vez que eu respirava, o ar parecia quente demais. Cada vez que eu fechava os olhos, as palavras voltavam. O pior é que o dia tinha começado bom. Bom de verdade. Eu tinha fechado minha agenda da semana inteira. Sem um único horário vago. Ensaio atrás de ensaio, prova de roupa, foto de catálogo, campanha nova. Uma grana linda entrando. Daquelas semanas que eu até agradeço por não ter folga, porque quanto mais eu trabalho, menos eu penso. Menos eu lembro. Menos eu espero. E aí o Jonas tinha que

