Luísa Narrando Eu parei a cadeira no meio da sala. Olhei pra ela. A luz da cozinha pegava no rosto dela, iluminando as rugas de preocupação. As mãos dela apertadas uma na outra, os dedos inquietos. — Eu sou maior de idade, mãe. — falei, a voz saindo mais firme do que eu esperava. Ela levantou devagar. Veio andando na minha direção. Os chinelos arrastando no chão, cada passo ecoando no silêncio da sala. — Eu sei que você é. — ela falou, parando na minha frente, os olhos fixos em mim. — Mas você nunca fez isso. Eu senti um incômodo subir pelo peito. Um misto de culpa e raiva. Raiva de ter que explicar. Culpa de estar magoando ela. Tudo misturado. — Talvez porque eu decidi começar a viver. — falei, os olhos nos olhos dela. Ela ficou me encarando em silêncio, como se estivesse tentando

