PESADELO NARRANDO Depois do abraço da Isabel, eu subi as escadas. As pernas pesavam, e a cabeça parecia uma panela de pressão prestes a explodir. Cheguei na porta do meu quarto, girei a maçaneta… mas parei. Não consegui entrar. Tinha alguma coisa me puxando. Um incômodo. Uma necessidade de descer aquele peso que estava preso dentro do peito desde a hora que o rádio chiou. Dei meia-volta, caminhei devagar até o quarto da Allana. A porta estava entreaberta. Empurrei devagar, sem fazer barulho, e logo vi ela sentada na cama, com umas fotos na mão. Os olhos estavam baixos, concentrados. E mesmo ali, quietinha, ela parecia carregar o peso do mundo inteiro nas costas. Quando percebi, já estava entrando. Ela levantou os olhos e sorriu quando me viu. Sentei ao lado dela, sem dizer nada no

