CAPÍTULO 103 — ISADORA NARRANDO A casa estava silenciosa outra vez depois que o Fúria saiu. Mas agora era um silêncio diferente. Não era pesado como antes. Não era vazio. Era aquele tipo de silêncio que deixa pensamento solto demais, principalmente quando a gente está tentando desesperadamente não sentir alguma coisa. E eu estava tentando. Terminei de arrumar a cozinha devagar, guardando as últimas coisas enquanto a Clarinha brincava no tapete da sala com uma boneca quase maior que ela, falando sozinha naquele mundinho infantil que parecia completamente distante do caos que cercava nossas vidas. Às vezes eu invejava isso nela. A capacidade de sorrir sem carregar peso nenhum. Passei o pano lentamente pela bancada enquanto minha cabeça voltava automaticamente para a manhã que tive

