CAPÍTULO 48 ISADORA NARRANDO O convite do Nando ainda estava ecoando na minha cabeça mesmo depois que ele saiu, porque não era só sobre ir a um baile, era sobre algo que eu nunca tive de verdade: a chance de simplesmente estar em um lugar sem obrigação, sem função. Eu nunca fui em um baile para curtir. Sempre que eu ia, era trabalhando, ajudando o senhor Carlos quando ele montava barraca, passando a noite inteira em pé, servindo, limpando, organizando, vendo todo mundo se divertir enquanto eu só observava de longe, como se aquele mundo não fosse feito pra mim. E agora… eu tinha sido convidada. Para ir. Aquilo me pegou de surpresa. Mas não tanto quanto outra coisa. O silêncio do Fúria. Ele não gritou não xingou não proibiu. O homem que controla tudo, que impõe até o ar que a gente

