CAPÍTULO 38 ISADORA NARRANDO Eu saí do banheiro com a alma leve, achando que o vapor do banho tinha levado embora a tensão daquele dia interminável. Mas o alívio durou exatamente um segundo em que meus olhos encontraram os dele. O choque percorreu minha espinha como uma corrente elétrica. Eu estava pelada, vulnerável, e o Fúria estava parado no meio do meu quarto, com minha calcinha na mão. Como um invasor que já tivesse tomado posse de tudo. Meu coração falhou uma batida. Minha primeira reação deveria ter sido gritar, correr ou me cobrir, mas meus pés pareciam colados no chão. Ele não estava apenas olhando; ele estava me devorando. Os olhos dele, sempre tão frios e calculistas, agora estavam em brasa, escuros, carregados de uma intenção que me fez perder o fôlego. Vi quando o olhar

