CAPÍTULO 51 FÚRIA NARRANDO O espelho refletia exatamente o que o morro esperava de mim. Frio impecável intocável. Passei a mão pela barba já alinhada, ajustando o caimento da camisa preta, tecido caro colado na medida certa do meu corpo, o tipo de roupa que não precisa de esforço pra impor respeito, porque o peso vem de quem veste, não da etiqueta, mesmo assim eu escolhi cada peça com precisão, calça preta tênis caro e o relógio que marcava mais do que horas, marcava poder. Borrifei perfume, aquele importado que deixava o ar mais pesado por onde eu passava, cheiro forte, marcante, impossível de ignorar, e por um segundo fiquei parado, encarando meu próprio reflexo. — Hoje vai dar merda… — falei baixo, sem mudar a expressão. Mas não era preocupação era certeza. Peguei a arma, enc

