CAPÍTULO 42 ISADORA NARRANDO O estrondo da porta de ferro batendo ainda vibrava nas paredes quando eu finalmente me permiti soltar o ar que parecia preso nos meus pulmões desde que saímos de Búzios. Eu estava parada no centro da sala, olhando para o nada, sentindo o peso do silêncio de uma casa que agora parecia mais fria. Como eu pude ser tão burra? A pergunta ecoava, implacável. Eu não sou uma adolescente sonhadora. Sou uma mulher que aceitou a proposta de ser babá para o dono do morro porque não tinha escolha, porque a dívida da minha mãe me empurrou para a boca do lobo. Meu papel era simples: cuidar da Clarinha, garantir que a filha dele estivesse alimentada e segura enquanto ele comandava o caos. Eu era uma funcionária. Apenas isso. Mas naquele quarto em Búzios, eu deixei a linha

