Capítulo 28

1143 Words

Capítulo 28 Narradora: Isadora O silêncio daquela casa em Búzios era diferente do silêncio do morro. Lá no Vidigal, o silêncio era um aviso, uma pausa entre um tiro e um rádio que chiava. Aqui, o silêncio era preenchido pelo barulho rítmico das ondas quebrando na areia, um som que deveria ser relaxante, mas que no meu peito soava como um tambor de guerra. Sentei na beira da cama de casal do quarto onde me instalei. Meus dedos afundavam no edredom macio, mas minha mente ainda estava presa dentro daquele carro, a quilômetros de distância. "Você é minha, Isadora". As palavras do Fúria não saíam da minha cabeça. Elas tinham um peso de chumbo e, ao mesmo tempo, uma eletricidade que me fazia arrepiar. O que aquilo significava para um homem como ele? Era posse? Era domínio? Ou era a única form

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