Mas eu não me virei. Eu não parei. Eu não dei a ele o que ele queria. Continuei fazendo o café, organizando a mesa, colocando cada coisa no lugar, como se ele não estivesse ali, como se a presença dele não tivesse efeito nenhum sobre mim, mesmo sabendo que o olhar dele estava cravado nas minhas costas, pesado, analisando, esperando alguma reação que eu simplesmente não ia dar. Servi o café com calma, puxei a cadeira, ajustei os talheres, e só então ouvi o som dele se aproximando, o barulho da xícara sendo puxada, o leve atrito da cerâmica contra a mesa. — Até que seu café está melhor — ele disse, com aquele tom que misturava desinteresse e provocação, como se estivesse testando, como se estivesse esperando algo. Eu me virei lentamente, sem pressa, encarando ele de frente, sustentando

