CAPÍTULO 61 — ISADORA NARRANDO O quarto parecia menor do que antes, como se as paredes tivessem se fechado ao meu redor junto com tudo que aconteceu no baile, e mesmo depois de trancar a porta e encostar o corpo nela tentando recuperar o fôlego, eu ainda sentia o peso de cada olhar, de cada palavra, de cada gesto que me atravessou no baile como se ainda estivesse lá, exposta, sendo observada, julgada, puxada de um lado para o outro por um jogo que eu nunca aceitei jogar. Eu levei as mãos ao rosto, segurando o choro com força, porque eu me recuso a desabar por causa dele, me recuso a dar esse gosto, me recuso a ser mais uma que se quebra diante da brutalidade que ele usa como linguagem, como defesa, como arma para manter todo mundo no lugar que ele acha que pertence, e foi ali, com o peit

