O sono demorou. Eu me virei de um lado para o outro, tentando encontrar uma posição que aliviasse a inquietação, tentando silenciar a mente que insistia em reviver cada detalhe, cada palavra, cada olhar, e quando finalmente o cansaço venceu, foi como um apagão, rápido e inevitável. Não sei quanto tempo passou. Mas eu acordei com a sensação de que não estava sozinha. Não foi um barulho alto, não foi um toque, foi algo mais sutil, mais instintivo, aquela percepção que vem antes da consciência, aquele alerta silencioso que faz o corpo reagir antes mesmo de entender o motivo. Abri os olhos devagar, ainda confusa, e virei o rosto na direção da poltrona. E ele estava lá. Sentado, imóvel, com os olhos fixos em mim. O susto me fez levantar rápido, puxando a coberta contra o corpo por refle

