O tiro veio. Preciso. O homem soltou meu braço na mesma hora, gritando de dor, e antes que eu pudesse reagir, Fúria já estava em cima dele, derrubando no chão, descarregando toda a raiva que parecia estar acumulada dentro dele, socando sem parar, como se cada golpe fosse mais do que só defesa, como se fosse algo pessoal. Eu fiquei parada. Imóvel. Respirando rápido. Tentando entender que ainda estava viva. Que aquilo tinha acabado. Que eu não tinha sido levada. Os últimos disparos ecoaram. E então veio um silêncio estranho. Pesado. Cortado apenas pelos sons distantes da invasão que ainda acontecia em outras partes do morro. Fúria se levantou devagar. Virou na minha direção. E quando nossos olhos se encontraram, algo dentro de mim travou de novo, porque o olhar dele não era o m

