Mas eu não fiz. Continuei olhando pra frente. Segurando a Clarinha com mais firmeza. Como se ela fosse minha única defesa naquele momento. O silêncio entre a gente começou a crescer de um jeito desconfortável, porque não era só falta de palavras, era falta de conexão, era um espaço que antes não existia daquele jeito, e eu sabia que ele estava percebendo. E isso parecia incomodar. — O que você tem? — ele perguntou, a voz um pouco mais baixa, mas ainda carregada. Respirei fundo antes de responder, porque a vontade era falar muita coisa, jogar na cara dele tudo que eu tinha ouvido, tudo que eu estava sentindo, mas eu não ia fazer isso ali, não na frente de todo mundo, não dando esse tipo de espetáculo. — Nada não — respondi simples — só estou indo embora. E dei um passo. Tentando p

