CAPÍTULO 87 — ISADORA NARRANDO Acordar no dia seguinte foi diferente de tudo que eu já tinha sentido até então, não porque alguma coisa externa tivesse mudado de forma drástica, mas porque dentro de mim algo tinha simplesmente se encaixado no lugar errado de uma forma tão definitiva que não tinha mais como voltar atrás, não tinha mais como fingir que eu não tinha entendido, que eu não tinha visto, que eu não tinha sentido. Eu não estava mais confusa. E isso, de um jeito estranho, me deu uma sensação de controle que eu não sentia desde o momento em que minha vida saiu do eixo. Abri os olhos devagar, encarando o teto por alguns segundos enquanto organizava os pensamentos, sentindo o silêncio do quarto como uma espécie de abrigo, porque ali dentro eu não precisava fingir nada, não precisa

