CAPÍTULO 34 FÚRIA NARRANDO Eu já estava no veneno desde o momento em que vi ela apontar na sala. Não era só a roupa; era o deboche silencioso de quem sabia exatamente o que estava fazendo. A Isadora agia como se não entendesse o chão que estava pisando, ou pior, como se entendesse e estivesse me convidando para o abismo. Não dava para ignorar. O tecido claro parecia uma segunda pele, desenhando cada curva que eu vinha tentando tirar da mente desde que chegamos em Búzios. Ela andava com uma naturalidade que me agredia. Como se não tivesse homem nenhum por perto, como se o mundo fosse um lugar seguro. No meu mundo, nada é seguro. E ninguém ia olhar para o que eu decidi que era meu. Mandei os vapores saírem dali no rádio, a voz saindo mais rosnada do que o normal. Eu conheço o instinto

