CAPÍTULO 62 — FÚRIA NARRANDO Eu já tinha passado do ponto. O uísque não descia mais para aliviar, só servia para incendiar ainda mais tudo que já estava fora de controle dentro de mim, porque cada gole parecia trazer a imagem dela de volta, como se minha mente estivesse se recusando a obedecer qualquer tentativa de esquecer, como se o corpo inteiro tivesse decidido que não ia colaborar. Saí da boca sem falar com ninguém, atravessando o corredor enquanto os vapores abaixavam o olhar automaticamente, porque eles sabiam reconhecer quando eu estava no limite, quando qualquer palavra atravessada podia virar problema, e naquela noite eu não estava com paciência para absolutamente nada. Montei na moto e acelerei sem pensar, rasgando as vielas como se a velocidade pudesse acompanhar a pressão

