CAPÍTULO 68 — ISADORA NARRANDO Depois de um tempo esperando no portão, tentando ignorar o quanto aquela espera parecia mais longa do que realmente era, tentando organizar meus pensamentos e sustentar a postura firme que eu tinha decidido manter dali em diante, eu vi a moto apontando na rua e não precisei de mais nada para saber que era ele, porque a presença do Fúria não era algo que passava despercebido nem de longe, muito menos quando vinha carregada daquele silêncio pesado que sempre o acompanhava. Ele parou a moto com a mesma precisão de sempre, desceu sem pressa, e quando os olhos dele encontraram os meus, eu senti como se o ar tivesse sido puxado do meu peito por um segundo inteiro, porque o jeito que ele me olhou não foi comum, não foi indiferente como eu esperava, não foi frio co

