CAPÍTULO 41 FÚRIA NARRANDO (CONTINUAÇÃO) O silêncio dentro do carro era pior do que o barulho dos tiros. Eu mantinha as mãos firmes no volante, os nós dos dedos brancos de tanta força, enquanto os pneus devoravam o asfalto da BR-101. Isadora estava no banco do passageiro, com a Clarinha ainda sonolenta e confusa no colo, mas eu me recusava a olhar para o lado. Se eu olhasse, eu poderia ver o que eu fiz. Eu poderia ver a decepção e o ódio naqueles olhos azuis que, horas atrás, me olhavam com uma entrega que quase me fez esquecer quem eu era. Quase. Mas o Fúria não esquece. — Você não precisava ter falado daquele jeito — ela murmurou, a voz baixa para não acordar a minha filha, mas carregada de uma mágoa que cortava o ar. — Eu falo do jeito que eu quiser, Isadora — respondi, sem tira

