CAPÍTULO 71 — ISADORA NARRANDO Depois que saí pela porta daquela cozinha, senti imediatamente o peso dos olhares cravados em mim, como se cada pessoa ali estivesse esperando exatamente o momento em que ele perderia o controle e eu voltaria para o centro da confusão, e aquilo começou a me sufocar de um jeito que eu não consegui ignorar, porque depois do que aconteceu no baile eu sabia muito bem que não era mais invisível, que agora cada passo meu virava espetáculo, cada respiração virava motivo para comentário, cada movimento virava provocação. Eu precisava de ar. Precisava me afastar. Sem pensar muito, comecei a andar em direção ao portão, desviando das pessoas, ignorando as vozes, fingindo que não escutava os cochichos, e quando finalmente cruzei aquele portão senti um alívio imediato

