CAPÍTULO 127 — DACRUZ NARRANDO O som da boca ainda tava vivo mesmo depois do baile ter acabado, com os últimos vapores recolhendo o que sobrou da correria da noite enquanto eu conferia a contabilidade do movimento encostado na mesa, observando cada valor anotado com calma porque dinheiro não admite pressa, dinheiro exige atenção, e eu não gosto de erro em nada que passa pelas minhas mãos. O cheiro de bebida misturado com fumaça ainda impregnava o ambiente, mas aquilo não me incomodava, pelo contrário, fazia parte da rotina que eu controlava ali dentro, porque cada noite de baile não era só festa, era fluxo, era poder circulando, era o morro funcionando do jeito que eu mando. Passei o dedo pela planilha improvisada enquanto um dos meus homens aguardava encostado na parede sem falar nada,

