CAPÍTULO 100 — NANDO NARRANDO O céu já começava a clarear quando encostei o carro na frente do morro, mas, sinceramente, fazia tempo que eu não ligava tanto para horário quanto naquela madrugada, porque depois da forma como a Amanda saiu daquele pagode comigo, olhando daquele jeito atravessado, debochado e provocador ao mesmo tempo, qualquer chance de dormir cedo tinha morrido ali mesmo. E a culpa foi totalmente dela. Ou talvez minha. Na verdade, dos dois. Porque bastou a porta do motel fechar para toda aquela tensão acumulada desde o começo da noite explodir de vez, e a Amanda tinha um talento absurdo para me deixar completamente sem paciência e sem controle ao mesmo tempo, já que ela provocava sorrindo, provocava falando, provocava até quando fingia que não estava fazendo nada. E a

